quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Bom e o bonito


É verdade que todas as semanas há boas e más notícias. Mas infelizmente as boas são sempre de desconfiar e as más nunca dão para acreditar. As boas: é notável o esforço tecnológico do Governo em desenvolver os instrumentos de aprendizagem das crianças do ensino básico, culminando na apoteose que foi a entrega de computadores Magalhães por José Sócrates a dezenas de alunos das nossas escolas. Tendo em conta que a minha sobrinha de 11 anos inaugurou o seu primeiro blogue escolar há apenas uma semana, não posso deixar de ficar comovido com toda esta… fantochada.


Toda a boa notícia tem uma volta na ponta. Até os noticiários menos alarmistas foram lépidos em assegurar que todos os Magalhães teriam instalados um “controlo parental” que impedisse o acesso dos filhos da nação a sites ”adultos” da internet. Não teria sido igualmente sensato questionar as escolas, muita delas a trabalhar em condições sub-humanas, se está garantida a imunidade das suas instalações, para assim impedir que os “adultos”, entediados com o carjacking, as bombas de gasolina e o assalto a caixas de multibanco, venham a correr atrás dos Magalhães nas escolas? Entretanto, o meu dealer da Feira da Ladra diz-me que já tem disponível um Magalhães “martelado” com acesso livre ao meu site favorito, www.candydarlingisbombshell.com...

Há sempre boas e más notícias. As boas são cortinas de fumo do Governo ou demagogia das instituições. As cortinas do governo são fáceis de “descortinar”, começam sempre por: “Um estudo avança”. Ou: “O INETI assegura”. Tudo o que sejam estudos e institutos, mesmo de publicidade a margarina, é de desconfiar, inclusivamente quando nos transmitem más notícias (será muito triste o dia em que deixarmos de acreditar nas más notícias, mas é menos mau que ser-se apóstata). No início da semana, o Instituto de Meteorologia assegurava: “Vai chover”. Os noticiários acompanhavam: “Corra para casa!”. Eu cheguei a tempo de tirar os meus soutiens do estendal. Ficou tudo na sala, é insuportável o cheiro a mofo. Mas enquanto um instituto não me assegurar que “Amanhã, vai fazer sol!”, eu não ponho a cabeça de fora, nem para uma ronda no Conde Redondo.



E a demagogia? O Dia Europeu sem Carros foi um fracasso tão grande como é, ao domingo, a Praça do Comércio entregue aos cidadãos. Mas isso não impediu a edilidade de, no próprio dia, prometer para 2009 uma ciclovia que atravesse a zona ribeirinha da cidade, através de um sistema pioneiro de bicicletas partilhadas, utilizado com sucesso em cidades como Barcelona. Não há nada pior que o idealismo que se enraíza nos autarcas quando vão de férias para cidades civilizadas como Barcelona ou Paris. Não se podiam ter ficado pela Costa da Caparica? Sempre é mais fácil para depois enterrar a cabeça na areia.


(Crónica publicada no Jornal Metro de 26 Setembro 2008)

1 comentário:

Fred disse...

Epa, o link www.candydarlingisbombshell.com nao funciona. Ve la o que se passa, pa!!!