segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Zé Carlos: diz que é uma sub-espécie de Gato Fedorento

Não foi muito bom nem foi muito mau, foi absolutamente indiferente – e isso é muito pior. O arranque (Domingo na SIC, antes da hora prevista) da nova série dos Gato Fedorento, Zé Carlos, não aqueceu nem arrefeceu.

As audiências, que são sempre aquilo que quiserem fazer delas, deram-lhes 27.3 de share total. Ou seja, dos cem por cento que estariam a ver TV àquela hora, apenas uma-pessoa-ponto-qualquer-coisa-em-quatro estaria a ver os “gatos”. Do outro lado, a TVI transmitia o último episódio da novela Fascínios, e nem o facto de os “gatos” terem feito uma rábula (fraquíssima, diga-se) com a novela em questão serviu para animar a noite.

Talvez o target dos Gato Fedorento não seja o público de novelas. Eu acho que inesperadamente, e por mérito próprio, todos os públicos de televisão são potencialmente público dos “gatos”. Se a SIC vai cobrar aos “gatos” por isso, pelo facto de os números poderem não corresponder, é outra questão.

O que também é outra questão é o facto de, para além dos números, os gatos poderem não corresponder às expectativas de humor que propõem (um humor highbrow mas achincalhado). Domingo, visivelmente, não corresponderam. O esquema-base: Ricardo Araújo Pereira faz de pivot em estúdio, convidando semanalmente três ilustres personagens: Zé Diogo Quintela, Tiago Dores, Miguel Góis. Vai ser sempre assim? É realmente muito engraçado. E depois o que se passa? Conversa sobre os temas do dia, com rábulas metidas pelo meio, do princípio ao fim. O Magalhães, o Sócrates, o Hugo Chávez, a República, os homossexuais… e o próprio Ricardo Araújo Pereira (repescado exemplarmente de um Donos da Bola de há 15 anos!).

40 minutos depois, os “gatos” levantaram o cu da cadeira e cumprimentaram-se. Acabou? Já acabou? Foi para isto que estiveram um ano a trabalhar? Só isto? Agora talvez se perceba a mensagem subliminar dos outdoors publicitários nas paragens de autocarros do país. Os cartazes, dispondo os quatro gatos como presidiários, escrevem: “Procuram-se!”. Muita gente foi à procura e não encontrou. Estes presidiários continuam demasiado… presos.

4 comentários:

Beta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Beta disse...

pois, eu fui um dos quartos que vi, mas nao por querer ver, simplesmente porque passei pela sala naquela altura, tendo acabado de passar um quilo de roupa a ferro, ter assado marmelos e carne de porco, depois de ter ido ver o Mamma Mia e de ter feito inúmeras coisas (o Domingo é o dia da semana em que eu chego ao final amis cansada!) Gostei de ver o Ricardo com 19 anitos, muito franzino, gostei de ver a Manuela Ferreira Leite que tinha um espectáculo de penteado (porque é que ela me faz sempre lembrar a minha mãe, sendo tão feia? Só pode ser mesmo do penteado e da maneira de vestir...)mas no gerral, era igualzinho ao "diz que é uma espécie de magazine..." bjs e continua a escrever, para eu ter sempre que ler

Nuno C disse...

Pode não ser vintage GF para todos, mas nem a estreia do ZC foi medíocre (musicalmente excederam-se), nem as audiências são relevantes quando se tem o youtube... basta ver a quantidade de Portugueses que não trocam os GF por uma novela e lá revêem os sketches religiosamente...
Saudações!

O Respigador disse...

E esta semana ainda foi pior... programa muito fraco que, no máximo, me terá arrancado dois sorrisos, designadamente, na piada sobre a hipóteses de se designar de outra forma, que não com o termo casamento, a união 'oficial' entre homossexuais; e no sketch sobre os 'capitalistas liberais' que, afinal, perante a actual crise económica, descobriram que a intervenção estatal até nem calha nada mal...
Ou seja, resumidamente, os Contemporâneos ganham dez a zero aos Fedorentos!!!

Paulo

PS: Outra coisa: porque é que o realizador fedorento parece fazer questão de aparecer em todos os programas?? Já agora, no que à realização diz respeito, os Contemporâneos ganham cem a zero!!!