quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pet Airways



A primeira companhia aérea exclusivamente destinada a animais domésticos já aceita reservas. Na Pet Airways o tratamento é acima de cão: os animais são enfileirados em terra, obrigados a tirar coleiras no detector de metais e enjaulados individualmente para evitar conflitos a bordo. Algo que parecia ser política exclusiva das lowcost normais...


terça-feira, 28 de julho de 2009

Julian Plenti... Skyscraper



Novo projecto de Paul Banks dos Interpol. Ainda não há telediscos, mas o álbum Julian Plenti... Skyscraper já circula nos redutos mais perigosos. É muito bom.

Beastie Boys off the job?



Beastie Boys cancelam digressão e anunciam... cancro.

Miranda Kerr: quem tudo querr...

Miranda Kerr foi apanhada este fim semana na Caparica a renovar os níveis arenosos das praias mais populares da região. Espera chegar a tempo de ver o debate entre António Costa e Santana Lopes na televisão.

Food Inc.



Food Inc. Um clip muito emotivo de um documentário que está a fazer furor na América. Um puto come um hamburger infectado com E.Coli e morre doze dias depois.

O derby do dia


Quem irá contribuir para a longevidade da arte? Quem será falado daqui a cem anos? Santana Lopes ou António Costa? Merce Cunningham ou Michael Jackson?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Património da Humanidade


UNESCO divulga lista actualizada com os 13 novos locais elevados a Património da Humanidade no mundo- incluíndo o Farol de Hércules na Corunha e a Cidade Velha na Ribeira Grande, ilha de Santiago (Cabo Verde). Estranhamente, a proposta de incluir Manuel Alegre na lista não foi contemplada...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Amália 20 meses


A minha Amália faz hoje 20 meses. Uma boa desculpa para não deixar este blog aqui abandonado. Vamos embora - preferivelmente de mão dada.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Os últimos 20 anos


Esta semana, Mourinho veio a Portugal receber o honoris causa pela Faculdade de Motricidade Humana. Imediatamente surgiram uns peludos a querer desviar as atenções mediáticas do special one, mencionando a injustiça que foi antes de Mourinho não terem sido destacados Jesualdo Ferreira ou Carlos Queiroz.

Admitindo que Mourinho tenha sido a melhor exportação de Portugal para o estrangeiro dos últimos 20 anos (no seu caso, a motricidade é mesmo uma faculdade), parece-me que a nossa melhor produção interna continua a ser a inveja. Essa vadia tem muito mais de 20 anos, e é personalidade gregária para competir com um belo Porto vintage.

Vinte anos são vinte anos, que é quase metade de 35, os anos da Revolução de Abril. Onde é que você estava? Desde 1974 até hoje já contabilizamos duas gerações incompetentes (sendo que a primeira culpabilizou a segunda), e pelo menos três ideologias aos “ésses”: os ressacados de esquerda, desde Abril até à morte de Sá Carneiro; a burguesia pato-bravo, em vigor desde a entrada na CEE até à queda de Cavaco ou fim da Expo 98; e a esquerda-caviar, a bronzear-se no poder desde que o PS de Guterres ganhou as eleições, no século passado. Quando exactamente? É fazer as contas.

E o que criou Portugal de sucesso nos últimos 20 anos? O que enche de orgulho os portugueses, para além de Mourinho e Cristiano Ronaldo? O que vai sobreviver para contar a história recente, e quem a vai contar? O Miguel Esteves Cardoso no jornal Público?

Costumo fazer esta pergunta aos amigos e familiares, para que sejam eles a preencher os espaços de memória criados pela minha amnésia auto-infligida. Alguém me disse: “Sumol. Mas apenas até decidirem criar o sabor laranja-chocolate”. Concedo, mas a Sumol já existe há mais de 20 anos, portanto não vale.

O que vale? O jornal Público, O Independente, a SIC Notícias, a Y Dreams, a TSF, a Subfilmes, a Expo 98, os Gift, a Via Verde, o Multibanco, o Herman José, o Paulo Branco, a Super Bock e a Sagres, a discoteca Lux, a Moda Lisboa, o Ricardo Araújo Pereira, a Radar. Não, a Catarina Furtado não.

Gostaria de incluir a FNAC, o Corte Inglés, a revista Time Out e o próprio jornal Metro, mas trata-se de franchise internacional, e apesar do sucesso na aplicação ao mercado e cultura locais, não contam para este escrutínio.

Quem conta? O Saramago, a Mariza, a Paula Rego e o Manoel de Oliveira são grandes embaixadores internacionais lá fora. Mas, para muitos dos portugueses, eles falam outra língua, e por isso não “comunicam”. Quem comunica, o Abrunhosa, o Reininho, os Buraka? Eles representam apenas as “franjas” de mercado e estamos carecas de o saber.

No fim da história, sobra apenas Mourinho. Pelo génio, espírito e insolência, ele representa aquilo que este país gostaria de ser quando fosse grande: maior. Ou apenas “o maior”.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O meu acordo hortográfico: precipitação

"Precipitação" é quando os pessimistas se precipitam a anunciar chuva para o fim de uma semana de sol. Claro que depois nunca chove.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Primeiro dia de Verão

Hoje, 20 de Março 2009, às 11h44, começa ou começou a Primavera. O primeiro dia da Primavera é para mim o primeiro dia de Verão. E o primeiro dia de Verão é naturalmente o primeiro dia do final do Verão. Porque depois do solstício de Verão, este ano às 06h46 do dia 21 de Junho, o sol “retomará” a sua rotina descendente em direcção ao hemisfério sul (de onde agora vem).

Para mim, só duas estações reinam – o Inverno e o Verão. A Primavera e o Outono são meros embaixadores, apenas representam a grandeza do que aí vem. As pessoas limitam-se a dizer que “agora os dias vão ser mais compridos”, como se esse oceano fosse o alibi que precisam para reduzir a sua responsabilidade diária ou esforço. “Deixa lá isso agora, pá, aproveita é o bom tempo!”.


A bênção do sol em nada extende o brilho aos nossos dias se continuarmos a ser incapazes de reflectir uns nos outros a luz que o sol distribui (à borla). É por isso que eu acho que o Verão é um teste à nossa generosidade. Quando falta, prometemos dar (se voltarmos a ter). Quando abunda o calor, quem sabe distribuir?

Hoje, 20 de Março, é o equinócio da Primavera, o momento solene e equidistante (ou seja, igual para os dois lados) em que o sol atravessa a linha do Equador e nos pergunta a nós, residentes no hemisfério norte: “Posso regressar? Prometem tratar-me bem?”.

Quantos de nós seremos capazes de prometer o que quer que seja? Em Portugal as eleições serão apenas depois do solstício de Outono, em Setembro. Nessa altura, não me surpreenderia ver alguns políticos de megafone pelas feiras vender a sua próxima legislatura. “Prometemos um sol equidistante e o casamento entre os homossexuais do mesmo sexo!”.

O desdém pela Primavera e o Verão não é exclusivo do hemisfério norte, apenas dos países mediterrâneos. Portugal, Espanha, Itália e Grécia tomam a Primavera e o Verão como garantidos, por isso é natural que fiquem decepcionados quando as estações não cumprem os seus mínimos. Dizemos: “O Verão já não é o que era!”. Mas depois a nossa reacção imediata é provocar incêndios. Ninguém pode dizer que a vingança se serve fria.

Mas será que um país de janelas pequenas e varandas transformadas em marquises merece ter Verão? Os nórdicos, mais inteligentes no culto do sol, celebram intensamente o 21 de Junho, a que chamam o “midsummer” – “o meio do Verão”. Portanto, quando nós começamos o Verão, já eles vão a meio. Isso significa que desperdiçámos metade dos seis meses de Verão a queixar-nos das chuvas de Abril. Quando damos por isso já o sol está de partida.

Uma amiga confessa-me: “Na Primavera, as pessoas ficam mais felizes sem que isso seja verdade”. Eu não gostava que as pessoas fossem obrigatoriamente mais felizes, mas preferia que tudo isto fosse verdade. Nem que eu tenha que decretar.

terça-feira, 17 de março de 2009

Será Coraline um filme de crianças para adultos?


É provável que a polémica Coraline (ver texto em baixo, Os Espectáculos) vá mais uma vez cair em saco rôto. Mas pelo menos a mensagem chegou aos principais envolvidos:

A Comissão de Classsificação de Espectáculos (CCE), que respondeu tardiamente ao mail que eu lhe tinha enviado uma semana antes (portanto tarde demais para ser considerada no meu artigo do jornal Metro).

A Lusomundo, que na própria sexta feira se prontificou a esclarecer algumas imprecisões no meu texto.

E até o próprio Nuno Markl, autor da adaptação do argumento de Neil Gaiman para a versão portuguesa (como se sabe, Coraline não teve direito a distribuição de versão original no nosso país). A única pessoa que não regiu foi o próprio Neil Gaiman, o que me parece uma tremenda falta de elegância.

Vamos por partes, como diz o talhante. Comecemos pela minha insurgência. Depois de ouvir histórias de pais de crianças de 3 e 4 anos indignados com o facto de os seus filhos terem pesadelos com o filme de cinema Coraline e a Porta Secreta, classificado pela CCE para maiores de 4 anos, lancei a dúvida à Comissão: “Será este filme realmente para crianças de 4 anos?”. Mais: “Uma vez classificado o filme, o “policiamento” nas salas de cinema é rigoroso?”.

António Xavier, presidente da CCE, escreveu-me: “No caso concreto do filme Coraline, a classificação de maiores de 4 anos resultou da votação unânime de quatro membros da CCE, na sua interpretação dos critérios em vigor (disponíveis em
www.cce.org.pt) e da ausência de qualquer recurso até à data de estreia. Posso informar V.Exª que é a CCE a entidade competente para decidir de reclamações ou recursos de decisões suas e, em segunda instância, o próprio Ministro da Cultura”.

“Posso também informar que, ultrapassadas que sejam algumas tramitações jurídicas indispensáveis, nomeadamente a notificação e resposta do distribuidor, o filme vai ser reanalizado pela subcomissão de recurso da CCE. Da decisão subsequente a essa reanálise será dado conhecimento a V.Exª”.

Ficou por responder à segunda parte da questão: que responsabilidades têm as salas de cinema? Já agora, quem representa as salas de cinema em Portugal?

Embora eu não atribua “culpas” dos erros de classificação e distribuição nacional ao argumentista Neil Gaiman, Nuno Markl escreveu: "Não concordo, caro Somsen, que se atribuam culpas ao argumento do Neil Gaiman. Maiores de 4 é capaz de ser uma má classificação (maiores de 6 já me pareceria aceitável), mas quando é servido tanto entretenimento terrível para crianças, atacar um "filme de terror" - no sentido mais mágico e poético da expressão - que as trata com inteligência e sensibilidade, parece-me que é atirar ao lado!".

Concordo com a ideia de Markl de que o “entretenimento terrível” é servido indiscriminadamente aos espectacores juniores. A responsabilidade passa para os pais, que olham para a CCE como referência ou diapasão. Erro deles, claro.

As explicações da distribuidora Lusomundo, simpaticamente representada por Nuno Gonçalves e Isabel Lima, serviram para relançar o debate (foram as primeiras a ser ouvidas). Por se ter tratado de conversa informal, via telefone, assinalo de memória os tópicos: ao contrário do que escrevi, Coraline não é a primeira animação a estrear em Portugal sem qualquer versão original (ainda não sei qual foi, mas tentarei descobrir).

A opção de apenas estrear versões de Coraline dobradas, segundo a Lusomundo, tem mais a ver com política financeira que opção ideológica, uma vez que a distribuição de uma versão original 3D implicaria um acréscimo substancial no orçamento previsto para o lançamento do filme em Portugal.

A Lusomundo confirma ainda o contacto recebido pela CCE no interesse de reanalisar o estatuto e classificação de Coraline e a Porta Secreta, mas reconhece a sua incapacidade para alterar essa classificação sem a CCE. Chegarão a tempo? Eu creio que não. Mas antes tarde do que nunca. Até porque depois do cinema vem o DVD. E quando o filme entrar em casa dos pais dessas crianças, que pais serão esses: os genuínos ou os alternativos, com botões nos olhos?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Os Espectáculos


Aguardo ansiosamente a resposta para uma questão que deixei colocada por email no site da Comissão de Classificação de Espectáculos (CCE), a entidade do Ministério da Cultura que supostamente “classifica” os espectáculos em exibição no país. Classifica como? Determinando, entre outras coisas, que grupos etários estão autorizados a assistir aos filmes em estreia semanal.

Lembram-se de antigamente ser vetada a entrada a quem quisesse assistir a um filme para “maiores de 18”? Isso era antigamente, agora as “idades” já não têm idade. Onde foi que se perdeu a noção da realidade? Pode ter sido no dia em que decidimos tratar as crianças como adultos. De certeza que foi na altura em que passámos a tratar os nossos filhos como consumidores.

Acontece que um dos espectáculos recentemente estreados, o filme Coraline e a Porta Secreta, de Henry Selick, recebeu da CCE o suspeito estatuto de “filme para maiores de 4 anos”. A pergunta que enviei para o site questionava sobre “os critérios utilizados pela CCE para estabelecer a classificação etária dos filmes de animação estreados em Portugal, e de que forma essa classificação é assegurada nas salas de cinema”.

O que quis saber é se a CCE tem um polícia a impedir uma criança de 3 anos de entrar num filme para maiores de 4 ou se existe alguém no cinema que peça o bilhete de identidade a um puto charila de 5 anos que queira ver o novo filme em que a Sharon Stone faz sexo oral a um polícia (não se assustem, sou eu a divagar).

O que se passa? Passa-se que Coraline e a Porta Secreta não é um filme para crianças – quanto mais será para pré-adolescentes. Passa-se que os pais estarão a ser iludidos por uma classificação falaciosa se decidem levar tranquilamente uma criança de 5 anos a ver Coraline.

Passa-se que os pais não percebem o que se passa quando os seus filhos acordam a meio da noite com pesadelos protagonizados por pais alternativos e adultos com botões nos olhos (a culpa é do argumento de Neil Gaiman que Nuno Markl adaptou).

Passa-se que ninguém sabe que isto se passa por aí, uma vez que os críticos (eu incluído) continuam mais interessados em discutir a ideologia de Quem Quer Ser Bilionário. Passa-se que a CCE não responde aos mails dos jornalistas, que os cinemas não restringem públicos nem idades e que o espectáculo deve sempre continuar.

Há aqui outro dado que ajuda à perversão do espectáculo em si, que é o facto de, creio que pela primeira vez, um filme de animação estrear em Portugal apenas com versões dobradas. Ao excluir qualquer versão original, a distribuidora Lusomundo está a informar o público que o filme é “apenas” para crianças.

Excluíndo os adultos por defeito não resolve o problema: os adultos mais bem informados irão ver a versão original pirateada na internet. Os pais menos bem informados continuarão a acreditar nas classificações idóneas da CCE e no coelhinho da Páscoa.
(Publicado no jornal METRO de 13 Março 2009)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Inverno está out


O facto de apenas faltarem 15 dias para a Primavera não significa que faltem 15 dias para a acabar o Inverno. Por isso gostaria de saber se alguém se pode dignar a acabar com ele por mim.

Comer beber homem mulher


Um amigo meu, que tem muitas namoradas (ou apenas uma namorada e muitas concubinas, ainda não percebi bem), telefona-me regularmente de casa a pedir novos restaurantes onde possa levar as namoradas e as concubinas (preferivelmente para mesas e contas separadas). “Olá Miguel, esta semana estou com uma namorada enóloga e queria jantar num restaurante com uma boa carta de vinhos. Sabes de algum?”.

Como ele vive em Oeiras e conduz mal e porcamente, eu tento sempre enviá-lo para um restaurante onde ele se possa deslocar de automóvel - em linha recta. Portanto será sempre mais complicado sugerir que ele vá ao fantástico 2780 Taberna, em Oeiras, porque até lá chegar (a Taberna é a 500 metros de casa) ele teria de enfrentar um quarteirão de sentidos proibidos e sinais de stop.

Sendo assim, para ninguém correr riscos, a sua linha recta Oeiras-Lisboa acaba invariavelmente na Praça da Ribeira, onde estão três excelentesrestaurantes – o tailandês Yasmin, o sul-americano La Moneda e o recente Sommer (cozinha internacional feita por um casal de portugueses). Parece que o Sommer foi mesmo boa aposta: a enóloga gostou dos vinhos, o meu amigo gostou do caminho mais curto entre dois pontos. São assim os atalhos do amor.

No fim de semana passado, para fugir à rotina geométrica dos afectos (grande frase), mandei o meu amigo para o Bocca, que fica na Rodrigo da Fonseca, em Lisboa. O Bocca foi o melhor restaurante onde jantei em 2008, mas isso não sensibilizou o pobre comensal, que pagou cerca de 200 euros por uma refeição de casal que incluía “uns fios de pato que mais pareciam cabelos, com uma bola de algodão doce”. Consta que acabaram os dois a cear no McDonald’s da Brancaamp.

Desde que jantei no Bocca, no Verão passado, não voltei a testar o restaurante, mas custa-me a acreditar que seja preciso acamar uma refeição de 200 euros com uns hamburgeres de 1 euro na esquina. Gostaria que este texto não dissuadisse os leitores de experimentar a cozinha superlativa de Alexandre Silva, um dos melhores chéfs nacionais com menos de 30 anos. Mas posso estar enganado.

É que desde o Verão 2008 até hoje, tudo mudou: a crise veio para jantar e pediu sobremesa. Só em Lisboa, fechou o Omnia, o Vírgula e, segundo consta, saiu o chéf Fausto Airoldi do Pragma Casino Lisboa. Há mais: Miguel Castro e Silva abandonou o projecto impessoal do Bull & Bear no Porto e o sérvio Ljubomir Stanisic fechou o 100 Maneiras em Cascais para o reabrir (com mesmo nome) no antigo espaço do Olivier, no Bairro Alto. Fui com o meu amigo Rui Tendinha, no dia dos namorados (somos ambos do contra) e gostei – mas com algumas reservas. Terei um dia de voltar ao 100 Maneiras para experimentar uma refeição normal sem pétalas de rosa na mesa. É que o amor tende a estragar o apetite que se exige para a grande aventura celibatária do bem-comer.

(Publicado no Jornal Metro de 5 Março 2009)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Prada


Publiquei esta crónica no Metro quando estreou Diabo Veste Prada em Portugal (2006, salvo erro). Na altura, a desculpa serviu para falar sobre as diferentes perspectivas que homem e mulher têm em relação a uma ida ao cinema. Acho que o tema (e a perspectiva) não mudou assim tanto. Aqui vai.

Não conheço um homem que tenha gostado da nova comédia de Meryl Streep, O Diabo Veste Prada, nem uma mulher que não tenha gostado. Os homens que conheço são quase todos críticos de cinema e os críticos de cinema não têm dinheiro para vestir Prada (o que os leva a concluir que a moda é um luxo e uma futilidade). As mulheres que gostaram de Diabo Veste Prada são minhas amigas, o que só prova o bom gosto que têm. Logicamente, e tal como eu, elas gostaram de Diabo Veste Prada.

Portanto, o Diabo Veste Prada não é um filme unânime. Como aliás não são unânimes os homens e as mulheres. O que parece evidente é que este é um daqueles filmes que as mulheres tentarão levar os maridos a ver, e os maridos tentarão comprar por engano um bilhete para o novo filme de acção do Kevin Costner.

A natureza diz-me que os homens, sejam eles pacholas da metalo-mecânica ou dândis das belas-artes, vão ao cinema para ser críticos, enquanto as mulheres vão ao cinema para deixar de criticar. O que para eles é extensão, para elas é extinção. Deve ser por isso que os críticos de cinema são quase todos homens. As mulheres, perdoem-me o sexismo, criticam tudo o resto – excepto os filmes. É por isso que adoro ir ao cinema com elas: quando saímos da sessão, só falamos do trânsito.

Para os homens, cinema é coisa séria – por isso eles só vêem filmes “desafiadores”. O que é um filme “desafiador”? Eu próprio não sei, mas imagino logo uma cena de acção que “desafie” as leis da gravidade e não insulte a inteligência do “gajo”. Basta pensar em ficção científica, espionagem ou clássicos de guerra; filmes com o Will Smith, o Matt Damon ou o Tom Cruise. A situação melhorou quando Hollywood tirou Angelina Jolie da cartola – a mulher biónica parece ser boa demais para ser verdade; e mesmo que não seja verdade, ela é boa.

Os filmes “desafiadores” implicam uma certa ciência, e toda a ciência implica um conhecimento”, e nenhum homem assumido sai de casa sem o seu “conhecimento”. O problema é que o sério, como as calças vermelhas ou à boca de sino, já passou de moda. Sério são os intelectuais, e intelectualizar não leva a lado nenhum. Quanto mais, leva uma mulher para a cama, mas isso no dia seguinte vale muito pouco.

Pelo contrário, as comédias, sejam elas de Jim Carrey, Robin Williams ou Adam Sandler, têm mais facilidade em vender a seriedade do mundo (através da subversão). Basta recordar um dos mais acutilantes monólogos de Meryl Streep em Diabo Veste Prada (sobre a influência do cerúleo na moda), para se perceber que aquilo, sim, é um filme com tomates. E realmente, não sendo um filme de homens, Diabo Veste Prada tem tudo no sítio. É maior a minha admiração por perceber que o realizador David Frankel fez tábua rasa do original literário de Lauren Weisberger (o seu livro é uma denúncia entediante da bitchiness de Anna Wintour, editora da Vogue).

No livro, a autora é tão séria como um homem vitimizado. No filme, David Frankel é assumido, desopilante e corajoso. Corajoso como só uma mulher sabe ser (sem ter de admitir); corajoso como um homem gosta de apregoar (sabendo que não é). Como se vê, toda a futilidade tem a sua utilidade.

TVI24: aqui e agora


A pouco mais de 24 horas da estreia e abertura do TVI24, deixo aqui ao lado alguns links do You Tube para as promos de lançamento de canal que temos vindo a preparar e executar ao longo destes últimos dois meses aqui na TVI. Algumas outras promoções estão ou estarão disponíveis noutros links do You Tube ou no canal 7 da grelha da TV Cabo.

Não tem sido fácil, não tem sido simples, não tem sido tranquilo. Mas se fosse fácil não teria piada, se fosse simples haveríamos de complicar e se fosse tranquilo seria facilmente esquecível. Ora a ideia é que tudo isto seja memorável, que dure mais uns dias até chegar a uma semana, quatro semanas, outro mês, uma temporada, duas estações e um ano de vida. E viver as 24 horas como se elas não significassem apenas um dia mas um carnaval e uma vida.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Os vencedores dos Óscares - em 1ª mão!


Conseguem ver? Esta foi a suposta lista falsa com os nomes dos vencedores dos Óscares que apareceu a circular na net ontem.

A Academia diz que a lista é uma fraude. Evidentemente, nunca saberemos. Mas podemos desconfiar: é que a lista é uma aproximação fiel ao que decerto resultará da cerimónia na noite do próximo domingo (em directo na TVI).

Heath Ledger, Mickey Rourke, Kate Winslet, Danny Boyle, Slumdog Millionaire. Só falta conhecer a punchline das piadas sobre o filme Austrália previstas para o apresentador do espectáculo, Hugh Jackman.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quem quer ser crítico de cinema?


A três dias da entrega dos Óscares de Hollywood, a pergunta que se deveria fazer era: “Quem Quer Ser Bilionário, de Danny Boyle, vai ser o grande vencedor da noite dos Óscares?”. No entanto, a pergunta que mais se ouve por cá é outra: “Quem Quer Ser Bilionário é ou não um bom filme?”. No domingo Quem Quer Ser Bilionário vai decerto ganhar três dos principais prémios da Academia – melhor filme, realizador e argumento adaptado. Mas será isso suficiente para atenuar a discussão que entretanto se criou sobre as qualidades cinematográficas e ideológicas do filme de Danny Boyle? Espero que não.

Não me lembro de alguma vez um filme “unânime” (isto é, favorito dos Óscares) ter dividido tanto aqueles que sobre ele escrevem. Antigamente a crítica estava confinada aos críticos. Tínhamos o Expresso, o Diário de Notícias, o Semanário e mais tarde O Independente e Público. Hoje basta criar um blog para se publicar meia dúzia de disparates sobre cinema – e sobre a respectiva classe crítica. Classe essa que, por não estar sindicalizada, não se pode defender em bloco.

Mas não se pense que a balcanização dos críticos de cinema diminuiu o valor do debate público (e neste caso publicável). Basta ver o que se tem escrito sobre Quem Quer Ser Bilionário nos blogs de Luís Miguel Oliveira (As Aranhas), João Lopes (Sound+Vision) ou Bruno Nogueira (Corpo Dormente) para se perceber que o espectáculo vai continuar – muito depois do filme ganhar os Óscares que tiver de ganhar.

A discussão inflamou esta semana quando Bruno Nogueira, que não é crítico de cinema mas comediante, decidiu criticar os críticos que disseram mal do filme por si adorado – Quem Quer Ser Bilionário. “Ser crítico de cinema só obedece a uma regra básica: dizer mal daquilo que está em alta. Há qualquer coisa de intelectual em contradizer as massas”. Bruno Nogueira falava contra os críticos Luís Miguel Oliveira, do Público, e Vasco Baptista Marques, do Expresso, que arrasaram Quem Quer Ser Bilionário.

No blog Sound+Vision, o sempre esclarecido João Lopes, que já foi crítico do Público e do Expresso, picou o debate. “De que massas está Bruno Nogueira a falar? Das massas que em 1932 deram a vitória ao partido nazi? Das que transformam Quem Quer Ser Milionário num fenómeno de bilheteira? Como é que muitos bilhetes vendidos produzem uma ideia?”.

Bruno Nogueira, que tem razões de sobra para defender a sua “dama”, cometeu um erro: aliou-se às massas. Contra a balcanização, armou-se em Santana Lopes. Ao sugerir que todos os espectadores que fizeram o sucesso de Quem Quer Ser Bilionário (as massas) pensam o filme da mesma maneira, ele está apenas a ofender o livre arbítrio das massas. Pior, está a fazer das massas puré. Ele está mesmo a pedir para lhe darem na cabeça.
(Publicado no Jornal METRO de 20 Fevereiro 2009)

A Praça do Comércio ou o Terreiro de Paço?


Quando a maioria das pessoas não sabe que nome há-de dar a uma das principais praças (ou terreiros) do país, eu acho que já não há grande solução que possa vir a salvar a Praça do Comércio. E o mesmo se pode dizer do Terreiro do Paço.

Há um mês, a Praça fechou para obras de saneamento. Hoje, as obras de saneamento já conseguiram desviar as habitualmente afuniladas linhas de trânsito ascendente e descente, as mesmas que António Costa planeia limitar quando, um dia, as obras finalmente terminarem. “Nove meses”, dizem eles. “Dois anos”, lê-se noutro jornal.

É irrelevante o tempo que mais uma vez se irá perder no terreno: o que sabemos é que a promessa demagógica de devolver a Praça à cidade (e aos 52 lisboetas que nela vivem) virá inevitavelmente alimentar os discursos eleitorais da próxima rentrée. Portanto ou a Praça reabre em Setembro, a tempo das autárquicas, ou fica fechada até 2012, para o deixa-andar do segundo mandato de António Costa.

Pessoalmente, não gosto da Praça do Comércio. E o mesmo se pode dizer do Terreiro do Paço. É verdade que a Praça não existe para agradar ao senhor cronista das sextas feiras no Metro. Mas, por generosidade minha, gostaria de pensar que ela tem um propósito mais abrangente, ou que alguém saberá um dia encontrar a sua razão de ser. Talvez as obras sirvam para definir finalmente a sua personalidade, porque até hoje nada.

Há vinte anos, a minha mãe estacionava ali todos os dias o carro sem dizer água-vai, e limitava-se a deixar uma moeda a quem lhe encontrava um lugar. Depois, o “vergonhoso parque ilegal” passou a ser um “vergonhoso parque oficial”, nunca impedindo o devido caos e a trindade. Desde que tiraram dali os carros, a Praça do Comércio esvaziou-se de conteúdo.

Seria o seu desígnio tornar-se numa espécie de Foz Côa de Lisboa? Os políticos acham que não, e procuram as soluções mais rocambolescas para levantar aquilo do chão: desde a maior árvore de Natal do mundo até às rolotes de António Costa, é um ver-se-te-avias de animação fricolé e plasticidade industrial. Até hoje, a única coisa que a Praça do Comércio nunca conseguiu ter foi genuína vida vivida. E o mesmo se pode dizer do Terreiro do Paço.

No último fim de semana antes das obras, em Janeiro, fui finalmente ao local do crime ver a animação que levava a edilidade a limitar o trânsito rodoviário na zona. Meia dúzia de serviços de pipocas e farturas, umas dezenas de visitantes de circunstância , e a esperada deriva institucional de um pólo de convergência que parece divergir em todos os seus aspectos ideológicos. O que eu preferia é que as actuais obras de saneamento servissem também para sanear todos aqueles que planeiam para a Praça do Comércio um “comércio” que ela não tem. E o mesmo se pode dizer do Terreiro do Paço.

(Publicado no Jornal METRO de 6 Fevereiro 2009)

O Metro do Porto


A única informação relevante que eu tenho para apresentar esta semana é um pedido de desculpas formal pelo modo como tenho tratado os fiéis leitores do jornal Metro no Porto durante estes anos. Do pouco que sei, o Metro tem uma versão lisboeta e outra portuense. Infelizmente, não tem duas versões de cronistas. O que significa que os desgraçados do Porto são obrigados a levar com as graçolas do idiota que aqui escreve às sextas – e escreve repetidamente sobre as coisas mais bizarras que se passam em Lisboa, sejam túneis, graffitis, fórmula 1 na Avenida da Liberdade ou o Santana Lopes à frente da Câmara Municipal.

Acredito que na base do projecto do jornal Metro em Portugal, a ideia fosse convidar intelectuais esclarecidos capazes de escrever com brilhantismo sobre o país e o mundo. Tiveram azar, saí-lhes eu na rifa. Eu não sei nada sobre o país e o mundo que o resto do país e do mundo não saibam já: a terra é plana, o sol gira à volta do meu umbigo e o FC Porto acaba sempre em primeiro lugar. Mas há uma diferença: embora eu viva em Lisboa, vivo perto do primeiro comboio que segue para o Porto. Portanto, sei quase tanto do Porto como de Lisboa. Mas quanto? O suficiente para perceber quando é que estou a ser enganado por um taxista que me leve de Campanhã para o Hotel Infante Sagres através de um “atalho” pelo Campo Alegre via Circunvalação (basta procurar os sinais que dizem “Espanha 30 km” para começar a desconfiar).

O que me chateia nos lisboetas é a sua sedentaridade: mais do que os preconceitos e lugares-comuns, a relação dos lisboetas com o Porto está dependente da indolência de cada um de nós (custa a acreditar que juntos possamos fundar um Movimento). Para os alfacinhas, Cascais é estrangeiro, Vila Franca de Xira é 3º mundo e a margem sul, enfim, “jamais”. O lisboeta vai de carro da Bica para o Incógnito, dez metros mais abaixo, portanto não lhe podemos exigir grande esforço. E, claro, nenhum lisboeta vai ao Porto, nem que o DJ Kitten ou o actor Nuno Lopes façam striptease no Pitch ou Passos Manuel. Para os lisboetas, Porto é estrangeiro, mas não suficientemente estrangeiro para justificar esforço em reservar voo low-cost com três meses de antecedência.

No Porto, todos são da casa – para o melhor e o pior. Na estação de Campanhã, ninguém nos pede autógrafos. O taxista trata-nos com um desdém nacional indiscriminado, sejamos adeptos do Gondomar ou do Benfica. Os portuenses não são nem mais giros, nem mais morenos, nem mais porreiros que os lisboetas. O risco de ser bem recebido no Armazém do Chá é tão grande como o de levar um enxerto de porrada nas Galerias de Paris (apenas porque se pediu autorização à gerência para fotografar o espaço para uma revista de viagens). Portanto, o Porto é igual a Lisboa? Era o que faltava! As miúdas do Porto não são iguais a nada jamais visto (ou jamais visto pelos lisboetas). Mas isso é algo que apenas os leitores do Metro do Porto poderão compreender.

(Publicado no Jornal METRO de 30 de Janeiro 2009)

Má Educação


Deixei de estudar há 16 anos. Decidi que, no dia em que conseguisse fazer a cadeira de Direito Internacional Privado do sofrível curso de Relações Internacionais da Universidade Lusíada, iria tirar férias para sempre. Tenho sido fiel a esse princípio: nunca mais me esforcei para aprender sem amar ou sem ter a curiosidade de saber, e seria talvez uma das piores referências do jornalismo nacional se pudesse ser considerado jornalista (não tenho carteira profissional nem carta de condução de pesados). No dia em que acabei o curso, fiz como Sartre, leitor omnívoro, quando confrontado pela mãe: “O que vai fazer o menino depois de ler esses livros todos?”. Sartre: “Vou vivê-los”.

Vivi os últimos 16 anos com pesadelos de exames e provas por repetir, de orais compulsivas e horários restritivos, e todos estes dias acordei para o sonho que é uma realidade sem escolas e professores, sem modelos de conduta ou bases de moral que não sejam aquelas transmitidas pela poesia vivida da minha família, dos meus amigos ou das minhas mulheres. Aos 10 anos, a minha mãezinha alertou-me: “Agora que chegas ao liceu, prepara-te. Se faltares um dia a uma aula, não terás o professor a ensinar-te a matéria no dia seguinte”. Decidi que seria um bom princípio faltar menos vezes que os professores.

São poucas as memórias que guardo do secundário: talvez uma professora de Inglês que adorava os meus olhos azuis e outra de Físico-Química que vaticinou a minha miopia. Teria sido maior a minha desilusão se a professora de Química tivesse descoberto que a de Inglês era míope? A grande libertação da adolescência foi ter-me permitido questionar a formação em curso. Com 14 anos, a professora de História do Liceu Sebastião e Silva, em Oeiras, decidiu fazer um “texte”. Ainda perguntei a um colega: “Teste não está mal escrito?”. Ele: “Não faças perguntas, responde ao texte”.

Tudo o que sei sobre os limites do mundo aprendi na Escola Princesa Isabel em Oeiras, onde fiz uma primária exemplar. A Princesa Isabel tinha um campo de futebol pelado, um recinto de ginástica no subsolo onde aprendíamos música, e uma pequena tipografia no edifício da infantil. Luxos? Com quatro anos, sujei as mãos de tinta e fiquei predestinado. A partir daí, as minhas duas alternativas para o futuro seriam: a) jornalismo ou b) apanhar chocos com tinta na barra do Tejo. Hoje, a carreira de jornalismo não se descobre como outrora, quando se escrevia a tinta e borrão. Os mais velhos, como eu, recordam-se de como a dactilografia artesanal da máquina de escrever nos sujava os dedos. Agora, com os computadores, o mais perto que a nova geração pode ambicionar é escrever textos que sejam uma nódoa.

(Publicado no Jornal METRO de 23 Janeiro 2009)

Os Serviços

No sábado passado, o sol convidou os lisboetas para a rua mas o frio de Janeiro empurrou-os para dentro dos restaurantes ribeirinhos, com graciosa vista sul e o intacto espelho de água. Não fui excepção. Entrei num desses espaços populares com minha filha e sua mãe. Mas antes de me aburguesar na esplanada, achei delicado informar a “gerência” sobre as minhas intenções. Contei todos os empregados em trânsito, umdoistrêsquatrocincoseissete formiguinhas, e eis-me chegado a um balcão de hiperactividade e destreza profissional.

“Queria uma mesa para dois e um bebé, por favor”. Alguém: “As reservas são aí atrás”. Sendo que o “aí atrás” era a zona de recepção que deveria ter alguém a receber a clientela. Esse alguém, a gerente de sala, não estava presente. Mas uma vez apresentada em serviço rigoroso e tardio, a moça sexy e empinada não serviria os meus propósitos imediatos: “De momento não temos nada!”. E aquelas mesas em baixo? “Ali é a esplanada, não serve refeições, só crepes e tostas mistas!”. Então arranje-me uma mesa na zona de refeições, por favor. “Fumador ou não fumador?”. Não fumador: somos dois adultos e uma bebé, por enquanto só inalamos ópio.

Dez minutos depois, estávamos sentados na última mesa para não-fumadores disponível ao cimo da terra. Ao lado, já na zona de auto-flagelação assumida, um cliente saca de seu charuto e a respectiva névoa invade território vizinho, o nosso. Em suma, a balcanização de espaço num sábado à tarde. Foi então que a mãe exigiu: “Não é possível um homem estar a fumar um charuto ao lado da minha filha, quero outra mesa!”. Pareceu fácil a deslocação da nossa comitiva de uma sala para a outra, mas lamentei os dois pãezinhos de soja que ficaram na mesa. Com eles, terá permanecido no limbo o pedido de dois pratos que dariam imenso jeito a um casal de adultos com apetite. Uma coincidência o facto de a fome, mesmo ao fim de semana, acontecer sempre à hora do almoço.

Uma hora depois, já com a bebé impaciente, o “comer” chegou à mesa. Pior do que uma criança com birras são dois adultos esfomeados e intratáveis, pais de uma criança com birras. Soluções? Guardar tudo num tupperware ou comer rapidamente e pedir à bebé para pagar tudo com o American Express Junior. “Desejam sobremesas?”. Traga-nos um café e a conta. Demorou-se o café e nunca chegou a conta. Até hoje. As formiguinhas não terão compreendido a indolência da solicitação: “Tra-zia-me-a-con-ta-se-faz-fa-vor?”. Deveria ter acrescentado: “Hoje”? A mãe e filha seguiram para a rua, eu desloquei-me ao balcão munido de cartão de crédito, e aguardei, aguardei, aguardei, antes de sair do restaurante sem pagar pelos serviços prestados. Prometo não voltar a fazer uma coisa destas antes da próxima vez que tiver necessidade de fazer uma coisa igual.

(Publicado no Jornal METRO de 16 janeiro 2009)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Blog-off

O blog não está inactivo, eu é que ando concentrado noutras actividades. Com muitas saudades de casa, certamente.

O que me conforta são as músicas da banda sonora dos Cinematic Orchestra para o documentário Les Ailes Pourpres, que dificilmente estreará em Portugal. O único tema cantado (Crimson Skies) ainda não tem teledisco mas já tem Louise Rhodes, dos Lamb. Enjoy.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O caminho das pedras

Obama começou a discursar. Não consigo ouvir nada, mas consta que ele também consegue andar sobre a água. Sem patins ou duas pedras degelo....

Um pequeno passo para a humidade...

Faltam cerca de dez minutos para Obama aterrar na Lua. Aguardo com alguma excitação as imagens em directo da NASA para todo o mundo terreno, um mundo cujos pés parecem estar em todo lado, menos assentes no planeta Terra.

Cão-de-água

É quando prevalece a obsessão de "publicar" sobre a simples pulsão de escrever que reconsidero a função, actualidade e pertinência dos meus actos - e da escrita em si.

Seria simples que a simples racionalização dos actos e da escrita fosse, em si, suficiente para domesticar a obsessão de publicar, pois isso seria acreditar que a escrita é um acto racional que podemos açaimar. Podemos, mas não deveríamos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

No sítio do costume


Esta semana estou a pensar em adicionar alguns dias à minha vida (em vez do contrário). Espero conseguir fazê-lo ordeiramente e sem qualquer espécie de sobressalto.

God is my co-pilot

video

É quase de certeza Obama quem vai ao volante desta avioneta. A "avioneta" somos nós, claro.

Obama para Deus, já!


Eu acho que é sempre de desconfiar quando alguém é "histórico" antes de fazer História. Claro que o mérito de Obama não é ele poder vir a cumprir um mandato histórico, mas o facto de ser histórica a sua eleição. Ao lado disso, tudo o resto é insignificante - incluíndo talvez a nossa esperança.

Mais chuva?

Mandei levantar o Inverno. Aguardo deferimento por parte da Primavera.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A primeira página

Muita atenção ao pormenor sórdido com que a revista TV 7 Dias pontua a notícia sobre a morte nas ruas de Cascais do pai da jovem actriz de novelas Vera Kolodzig.

Aqui estão os retratos exclusivos do senhor Kolodzig, da entrada das urgências do Hospital de Cascais "onde foi assistido" e, para que não restassem dúvidas sobre a irreversibilidade da tragédia, da certidão de óbito do falecido.

A revista diz que "falou com ele em Março" mas não esclarece se obteve a certidão de óbito com essa antecipação. Não me surpreenderia.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Viva 2009: O regresso dos A Camp (ex-Cardigans)

Nunca deu para perceber se os Cardigans terminaram ou não. O certo é que há uns bons anos, em 2001, a vocalista Nina Persson desenvolveu o projecto lateral A Camp como forma de escoar algum do seu trabalho mais pessoal, convidando então Mark Lindous, dos Sparklehorse, para inspirar o salto de cavalo.

Mas nada de promiscuidades: A Camp é e continua a ser um projecto "familiar" de Persson com o marido Nathan Larson (ex-Shudder To Think), compositor de bandas sonoras em Hollywood (vivem ambos em Nova Iorque). O odd man out da banda é Niclas Frisk.

O novo álbum dos A Camp, Colonia, sai antes da Primavera, e tem colaborações de Jame Iha (Smashing Pumpkins) e Joan As Police Woman. O single Stronger Than Jesus é um bombom.

2010, é só um minuto



Não sei por onde começar. Mas vou começar por aqui.

É agora, quando tudo se reinicia, que a mim me apetece agarrar o novelo pelo fim contrário. E começar a contagem decrescente.

Descrescente em direcção à Primavera, decrescente em direcção ao sol, à esperança, ao aniversário, às festas de Lisboa, descrescente em direcção ao Verão, às férias, às fugas, à rentrée, decrescente em direcção à entrada da minha filha numa escola, decrescente em relação a mais um ano que passa e os poucos dias que lhe sobrevivem.

Quantos minutos faltam para daqui a bocado? Não posso contar o que aí vem sem contar com o que aí vem. Por isso dêem-me um desconto e eu conto.