sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Assalto ao McDonald's!

É enorme a dimensão da crise e isso vê-se nos actos tresloucados de cidadãos normais. Ontem à noite em Palmela, imagine-se, até o McDonald's, que vende hamburgers a um euro, foi alvo de assalto por "quatro encapuzados", assinala a imprensa matinal de hoje.

Será que assaltar um McDonald's é bom para currículo? Evidentemente, um pilha galinhas só pode ambicionar McChicken. Mas a acção também pode ter tido intenção de represália contra o facto de sistematicamente os balcões da McDonald's nos cobrarem pela maionese. Isso, sim, é um roubo!

Quadratura do Círculo Vs O Corredor do Poder



Quinta feira à noite. A SIC Notícias emite a Quadratura do Círculo com António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa. Do outro lado, a RTP transmite o Corredor do Poder com Marcos Perestrello, vice-Presidente da Câmara de Lisboa. Dois pelo preço de um.

Não fosse a emissão da SIC Notícias ter sido gravada, iríamos pensar que a Câmara ficava vazia numa quinta feira à noite. Felizmente eles têm tudo tratado: quando o Marcos Perestrello está a sair da Praça do Município para a RTP já o António Costa, que gravou para a SIC, está a chegar. "Podes ir, eu lavo a loiça".

De qualquer forma, não vejo razões para dois autarcas lisboetas estarem em simultâneo em canais diferentes de televisão. Especialmente se estiverem, como estavam, a falar praticamente do mesmo: o António Costa da manifestação dos professores, o Marcos Perestrello dos Morangos com Açúcar.


Há algo de verdadeiramente bizarro no juvenil Corredor do Poder que, com o avançar do tempo, se torna caricatural. Um programa apresentado pela Sandra Sousa, com personagens que parecem a Heidi ou o Nuno Markl (desenhado pelo Nuno Markl), só pode ser visto de forma ligeira e descomprometida.

Também me parece curioso o programa não identificar as cores partidárias dos cinco representantes em questão. Deve ser uma forma de infotainment, um jogo em que se obriga o espectador a advinhar os partidos pelo tom do discurso ou sua crispação. Pessoalmente, vejo sempre tudo sem som. Percebo logo quem é o "tio" do PP e que o tipo vestido com um pólo da Decathlon só pode ser do Bloco de Esquerda.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Manchete do New York Times


O entusiasmo da eleição de Obama leva a estas loucuras: na quarta feira, o habitualmente sorumbático New York Times lançou para as ruas uma edição falsa com uma primeira página anunciando, entre muitas outras, o fim da Guerra do Iraque, o pedido de desculpas de Condoleezza Rice à nação e a notícia mais desejada pelo mundo civilizado: George W. Bush acusado de alta traição. "Edição Especial", gritava o jornaleiro nas ruas de Manhattan. "Todas as notícias que gostaríamos de imprimir!".

A penúltima página da internet


As sinceras desculpas aos meus leitores pela falta de actualização e de posts no blog. Esta semana, decidi perder um pouco mais de tempo a assegurar que esta não se tornava a última página da internet, uma espécie de beco sem saída em que se batia com o nariz na parede e voltava para trás.

Por isso estive e tenho estado a trabalhar um pouco a sua hipertextualização, os links que nos levam daqui para ali fora. Pretendo deste modo garantir algum serviço público ao nosso vício privado, remetendo atalhos para blogs de qualidade, amigos que escrevem o que precisa de ser dito, não esquecendo a vida mundana dos melhores restaurantes da capital (estou a preparar uma lista decente sobre o Porto), as bandas revelação do momento e até, se me for permitido por lei (não é), os links para download pirata de discos, filmes e séries de televisão.

Em suma, um quarto com vista.

Cut Copy no Lux

Hoje no Lux, Cut Copy, um dos acontecimentos musicais do ano. E eu não arranjei bilhetes. Ora bolas. Mas enviei emissários para me descreverem o espectáculo em directo para esta torre de controlo.

Frase do dia

"If the global crisis continues, by the end of the year only two banks will be operational: the Blood Bank and the Sperm Bank! Then these 2 banks will merge and it will be called The Bloody Fucking Bank".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Fernanda Serrano


Vergonhosas as calúnias de várias revistas ditas cor-de-rosa contra a actriz Fernanda Serrano e os negócios do marido Pedro Miguel Ramos, nas últimas semanas. O que não impediu a actriz de reunir ontem a imprensa para comunicar a sua vitória na luta contra o cancro.

A acção generosa e calculada de Fernanda Serrano poderá ter os efeitos pretendidos: esclarecer as dúvidas sobre o seu estado de saúde de uma vez por todas. Mas esclarecer a quem, àqueles que fazem a gestão especulativa da informação íntima? É um faca de dois gumes a Fernanda Serrano oferecer assim o seu coração aos predadores. Pode ser que os entretenha. A mim dá-me a entender que a luta dela só agora vai começar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fafe 1-0 Ministra da Educação


Primeiro foram os milhares de professores em Lisboa a pedir a cabeça de Maria de Lurdes Rodrigues. Agora são as centenas de alunos em Fafe a rejeitar a Ministra da Educação, que visitava a cidade minhota para entregar diplomas no âmbito do programa Novas Oportunidades.

Para os alunos, a oportunidade também foi única para receberem a ministra com um saraivada de apupos e devido arremesso de ovos. Segundo o noticiário da Antena 2, "os ovos foram apreendidos pelas autoridades". O que me leva a pensar que ministra deva passar a fazer-se acompanhar da ASAE, autoridade mais do que competente para saber da qualidade dos ovos arremessados (e apreendidos).

Afinal, não se fazem novas oportunidades sem ovos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Jardim da Estrela


A esplanada? Fechada.



A geladaria patrocinada? Fechada.



O quiosque tradicional? Fechado.

É esta a intensa actividade comercial do Jardim da Estrela numa bela tarde de sol de fim de semana. Não há gelados, cafés, bolinhos, nenhum entretém de gosto ou amuse bouche que nos alivie a alma arrefecida pela desilusão do fim de Verão. O parque está cheio de crianças entretidas e pais respectivos, mas ninguém trouxe lancheira para compensar esta distracção da freguesia (ou junta de freguesia). Desolador.

Taça de Portugal: Sporting 1-1 FC Porto (4-5 em penalties)

Sensacional e "bom de bola" o jogo em Alvalade: o Sporting dominou a primeira parte, em que saiu a ganhar (Liedson nas alturas), o FC Porto ficou com a segunda, quando empatou (Hulk transformou o jogo).

O chamado "domínio repartido" escondeu os habituais desequilíbrios de equipas que não convencem (mas que são exemplares a esconder essas deficiências): o domínio inicial do Sporting foi resultado de falhas sucessivas do FCPorto, que arrumou a equipa para a segunda parte, quando o Sporting decidiu entregar o oiro ao bandido.

Dois golos, três expulsões, 265 cartões amarelos, um prolongamento e a decisão para os penalties transformaram o Sporting x FC Porto num dramalhão emotivo, com lágrimas e suspiros, uma soirée inesperada de quase três horas de duração. Terminou tudo antes da manhã do dia em que os portugueses regressam ao trabalho (e ao trabalho regressarão tarde, com valente ressaca).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bloomframe: a nova Casa dos Bicos


Acho a ideia tão inacreditavelmente fantástica que me apetece publicar a foto e título de Bloomframe apenas para passar a acreditar: trata-se de uma janela modular adaptada ao edifício que se transforma em varanda conforme os desígnios do tempo, os humores da frequência e a habitual má rede dos telemóveis. Não, ainda não se pode encomendar na Amazon ou pedir na FNAC.

Mais em http://www.bloomframe.com/

Black is the new Black


Pronto, tinha de começar o disparate. Agora só falta dizer que com a eleição de Obama deixa de haver "branqueamento de capitais"...

W., de Oliver Stone: comédia ou drama?


O Correio da Manhã de hoje refere que a Lionsgate, produtora de W., pretende enviar o filme de Oliver Stone para concorrer aos Globos de Ouro - mas na categoria de comédia e não de drama. É a única saída airosa para premiar um filme que é tão pouco comédia como é drama. Só o facto da Lionsgate propôr o filme para concorrer a uma "categoria" (sendo que categoria é coisa que o filme não tem), parece-me um absurdo.

Chega de bater no ceguinho: basta dizer que o verdadeiro Bush teria sempre muito mais piada que um filme cómico, ou levemente irónico sobre a sua vida. E que, portanto, a única saída de Oliver Stone seria fazer de W. um drama, coisa que ele não fez, não soube fazer ou (eis a minha escolha) não quis fazer. O que lhe faltou, uma teoria da conspiração? Creio que o 11 de Setembro 2001 teria dado pano para mangas (nada disso aparece no filme). Mas, como sempre quando se trata de biopics, faltou um pouco mais de História, de distanciamento temporal à sua história.

Também não ajuda o facto de Stone ter reduzido um potencial character study sobre os homens do presidente a um sketch dos Marretas. Basta ver a caracterização de Richard Dreyfuss (como Dick Cheney), Thandie Newton (Condolezza Rice) ou Jeffrey Wright (Colin Powell) para se perceber o nível de seriedade deste projecto.

Para mim, trata-se da primeira decepção da temporada para os filmes que eventualmente poderão concorrer aos Óscares. A segunda decepção é Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. A ele voltarei.

Impoliticamente correcto


Recebi a foto com a seguinte legenda: "Familiares de Barack Obama a caminho da Casa Branca". Não sei se corresponde à realidade familiar mais chegada ao presidente. Mas, de qualquer forma, o presidente já fez saber que não haverá lugar para todos no Air Force One.

Bush Jr: Bye Bye Baby


O jornal METRO refere na sua primeira página de hoje que, com a eleição de Barack Obama para presidente dos EUA, a Casa Branca voltará a ser habitada por crianças (as duas filhas de Obama são menores). Portanto assumimos que os oito anos da administração Bush não se trataram de uma infantilidade? O nome diz tudo: George W. Bush Jr...

O Contentores


Parece evidente que o Miguel Sousa Tavares, portista convicto, ainda a destilar com o facto de lhe terem roubado o computador portátil de sua casa, decidiu que alguém haveria de pagar por tabela na semana passada. Esse “alguém” podia ter sido o Benfica ou o Sporting, mas acabou por ser o Porto... de Lisboa (APL).

Na exigência natural de uma cidade com menos contentores e livre acesso do cidadão ao rio, o Sousa Tavares levou atrás dele um conjunto respeitável de signatários de uma petição online contra a iniciativa do governo em prorrogar a actividade mercantil da APL nas docas de Alcântara para além do limite do razoável.

Qual é o razoável? Digamos que autorizar a APL a funcionar por mais um ano com apenas mais um contentor em Alcântara ou Santa Apolónia já seria um abuso de poder (o contrato é para mais 27 anos). Mas nem tudo é mau. Se o simples roubo de um portátil conseguiu unir esta cidade numa causa nobre e altruísta, não acham que deveríamos agradecer aos bandidos que decidiram entrar pela casa do Sousa Tavares?

Há uma grande diferença entre a Lisboa que temos e a Lisboa que muita gente (que vive fora da cidade ou dentro dela, em condomínios fechados) gostaria que tivéssemos. É mais fácil, confesso, lutar pela Lisboa que gostaríamos de ter, porque a incerteza do futuro é dinâmica e permite-nos sonhar (ou vender política).


Imaginamos um dia a Baixa de Lisboa como uma grelha de arquitectura pombalina recuperada, vivendo a harmonia comercial e tradicional que há anos se lhe exige, e a fluidez natural de público residente atravessando o Terreiro do Paço em direcção a uma melancolia ribeirinha predestinada, com esplanadas e poesia de Outono.

Mas Lisboa não é, nunca foi, nem alguma vez será isso. A realidade do presente é mais dolorosa. E, no entanto, também é mais anestesiante: porque a ausência de soluções impede-nos de reagir e acreditar. E, claro, a obsessão lúdica da cidade como sistemático parque de diversões, com os carros de Fórmula 1 ou as paradas da SIC na Avenida da Liberdade, vão distorcendo ainda mais a perspectiva real de Lisboa.

Por sequência, o Porto de Lisboa é um dilema bipolar: porque Lisboa é, na sua natureza, uma cidade portuária (não pode abdicar comercialmente desse trânsito) que vive um equilíbrio instável com a sua outra personalidade, a de ser capital de país, com cidadãos e turismo. Basta uma das “personalidades” sobressair (neste caso, foi a APL, com conivência do Estado) e está o caldo entornado.

Isto ainda agora começou. Mas, infelizmente, às vezes é preciso um choque tão brutal como um roubo de portátil em casa (ou, no meu caso, um assalto na rua) para finalmente nos apercebermos de que a cidade não está segura nem assegurada. É claro que os piores bandidos não são os marginais, são aqueles já integrados no sistema. Os contentores não os irão conter ou sequer contentar.


(Publicado no jornal METRO de 7 Novembro 2008)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

RIP: Michael Chrichton (1942-2008)


A imprensa refere sempre que "morreu de doença prolongada". Mais belo seria dizer-se que o escritor, argumentista e realizador Michael Crichton "morreu de vida e carreira prolongada". Escreveu filmes como Tornado, Congo, Revelação e Parque Jurássico. Estava a preparar uma remake do seu argumento original de Westworld (1971), uma das suas primeira incursões no universo caótico dos parques temáticos (sendo Parque Jurássico o outro).

Em 1971, quando preparava The Andromeda Strain, Crichton recebeu visita guiada nos estúdios da Universal por um imberbe Steven Spielberg, que anos mais tarde haveria de o contactar para produzir um filme chamado ER (Serviço de Urgência). O argumento de Crichton tinha ficado 20 anos a ganhar pó nas estantes da Universal e agora seria adaptado para cinema se, se, se Spielberg não tivesse escolhido pegar no livro mais recente de Crichton, Parque Jurássico, para cinema e franchise. ER - Serviço de Urgência, como se sabe, haveria de se tornar série de televisão (relançando George Clooney, Julianna Margulies ou Anthony Edwards).

Michael Crichton morreu de doença prolongada. Aos 66 anos, tinha muito mais vida e criação para nos oferecer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Super Bock em Stock em Lisboa


Acabei de descobrir: dias 3 e 4 de Dezembro, Lisboa vai ter Festival Super Bock em Stock, uma espécie de Super Bock Super Rock mas com cachecol. Em vez de concertos ao ar livre, teremos oito espectáculos em ambientes irrespiráveis, comme il faut: Maxime, Tivoli, São Jorge e Teatro Variedades (no Parque Mayer).

Quem vem? contabilizei 23 artistas nacionais e internacionais. As minhas escolhas: El Perro del Mar, Santogold e Ladyhawke no primeiro dia. The Walkmen, Lykke Li e X-Wife no dia 4.

Segundo o jornal Público, os bilhetes a 40 euros serão depois trocados por pulseiras que garantem acesso a todos os espectáculos. "Quando uma sala estiver esgotada, o público vai sabê-lo através de uma aplicação bluetooth que descarregará nos telemóveis". Ou seja, vai ser um ai-jesus na avenida: quem se arrisca a sair a meio de um concerto para assistir a outro, sabendo que, por exemplo, o Maxime só comporta cerca de dez pessoas? Valerá a pena esperar pela info do dente-azul? I don't think so.

Alinhamentos em www.superbock.pt

A imprensa de hoje


A única razão para comprarmos os jornais de hoje será, em princípio, para saber os resultados das eleições americanas de ontem. Não quero saber da diferença horária, nem dos prazos para fecho de edição de jornal: se algum jornal hoje não me der o resultado das eleições de ontem, eu não compro.

O Diário de Notícias escreve taxativamente: "Obama Histórico", anunciando o nome do próximo presidente dos EUA. O Correio da Manhã, que escreve para outros públicos, passa a batata quente aos habituais maus da fita: "Televisões dão Obama presidente". Ou seja, se McCain ganhar, não temos nada a ver com isso.

O jornal Público, por seu lado, encolhe o rabinho, escrevendo: "Jardim faz empréstimo para pagar 13º mês". Isso é que é manchete para conquistar audiências! Mais abaixo, e de forma bombástica, eis a informação crucial: "Estados Unidos: em dia de afluência histórica, vencer foi só o mais fácil". Vencer? Mas afinal quem venceu? A única certeza do Público era que isto não ia dar empate. Nada mau. Quer saber mais? Compre a nossa edição de amanhã.

História com H grande

A imprensa fala num resultado histórico. Outros dizem que "é um grande passo para a humanidade". Não serão realmente poucas as razões para exultar. Afinal, é a primeira vez que o Sporting passa aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Quais as probabilidades de esse milagre ocorrer no mesmo dia em que um negro é eleito presidente da América?